Suicídio na Caparica: Carlos do Choupana imolou-se pelo fogo

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Suicídio na Caparica: Carlos do Choupana imolou-se pelo fogo

Mensagem por JornalExtra-Online em Qui 8 Maio 2008 - 13:44

É suposto que neste verão que se aproxima a Costa da Caparica,
comércio, moradores, veraneantes, vivam dias mais tranquilos
numa cidade nova que se deseja venha a tomar forma mais adequada
ao valor ambiental e à faixa atlântica de que é dotada.
Será isso que se espera para o próximo verão,
embora a redução de bandeiras azuis para a próxima época
traga já em si uma preocupação.




Largos meses depois de o mar ter entrado pelas praias e parques de campismo a dentro e ter feito das suas, e dos responsáveis pelo meio ambiente, e pelo bem-estar de moradores e turistas da Costa decidiram passar do papel para os actos e devolver alguma qualidade de vida a esta cidade, muito está ainda por fazer.

O preenchimento artificial das praias com areia foi feito e em Julho de 2007 nova esperança surgiu, pelo menos nas praias do Primoroso e CDS que na altura a nossa equipa de reportagem visitou. Quem chegou a estas duas praias teve o prazer de poder estender a sua toalha e estar descansado sem que o mar molhasse os seus pertences.

Afluíram centenas de pessoas a ver como se refez uma praia, artificialmente. E tal processo manteve-se até Outubro de 2007 com alimentação artificial de areias a ser feita entre as praias de São João e Costa da Caparica.

Da responsabilidade do INAG (Instituto Nacional da Água), a obra tinha uma previsão de três meses, - Julho, Agosto e Setembro – prevendo-se, no entanto, um alargamento de prazo para trabalhos suplementares prolongados até Outubro seguinte.

Como ponto negativo, a obra previa a interdição de algumas praias durante o decorrer dos trabalhos. E estiveram interditas de 4 a 11 de Agosto a Praia de Santo António e Praia de S. João; de 12 a 19 de Agosto a Praia do CCL; de 20 a 29 de Agosto a Praia do Inatel e Bar Kontiki; de 30 de Agosto a 10 de Setembro a Praia entre o Bar Kontiki e Bar Palmeiras; de 11 a 15 de Setembro a Praia entre o Bar Palmeiras e o Bar Sabor a Praia; de 17 de Setembro a 6 de Outubro em Trabalhos complementares.

A foto que aqui deixamos mostra como foi no ano passado o aspecto da praia da Costa da Caparica durante a reposição de areias:





Longe ainda de estar concluído o projecto os operadores locais principalmente restauração manifestam-se pessimistas em relação ao futuro.

Nesta semana a equipa de um programa da RTP ouviu no local alguns proprietários de restaurantes desanimados e apreensivos com o rumo que o projecto levou, a morosidade das obras e o desvio de restaurantes para outros locais.


Dominado pelo desespero suicidou-se

Causou profundo constrangimento o suicídio do concessionário do restaurante a Choupana que no dia 30, cerca das 11,30 horas pôs termo à vida imolando-se pelo fogo, enquanto executavam a ordem de despejo do seu restaurante. Foi a primeira vítima mortal do Projecto Polis. Trata-se de Carlos de Jesus, de 65 anos, proprietário do Restaurante a Choupana, situado na Mata de Santo António na Costa da Caparica, que sofreu queimaduras em 90 por cento do corpo. Transportado para um hospital da Universidade de Coimbra, viria a morrer cerca das 8 horas do dia 1 de Maio.

O incidente ocorreu no momento em que se oficializava o despejo em presença de funcionários da Direcção Geral do Tesouro e Finanças e da Costa Polis. Carlos de Jesus entrara na altura e depois de cumprimentar os trabalhadores imolou-se pelo fogo.

Segundo fontes próximas da POLIS o processo de despejo já se arrastava desde 2005 quando ocorreu a denúncia dos arrendamentos comerciais existentes no local, em favor do projecto POLIS para instalar um jardim urbano. Carlos de Jesus já saberia que o Choupana ia ser demolido mas não resistiu ao choque que a acção lhe provocou.

Comentários na altura referiam que “para nós foi uma surpresa. Ele sabia que o espaço ia ser demolido e pareceu-nos que tinha aceitado”. Outros referiam que “se calhar também foram problemas pessoais que o levaram a fazer isto”.

Carlos de Jesus terá sido intimado em Dezembro de 2006 para abandonar o espaço no prazo de 60 dias. E terá por isso recorrido ao Tribunal Administrativo e Fiscal de Almada. Cerca de um ano depois, em Agosto de 2007 Carlos de Jesus foi informado de que perdera a causa, que foi ganha pela Costa Polis e pelo Ministério das Finanças; e o processo de demolição avançou. Consta no meio que Carlos de Jesus terá recebido uma indemnização de 25 mil euros mas porque não desocupou o locado foi determinado o despejo coercivo.

A demolição do restaurante Choupana concluiu-se no dia 2 de Maio último. No espaço, integrado numa área de 14 hectares de terreno irá ser construído um polidesportivo e um jardim urbano circundado por zona verde recuperação da mata. De entre as valências programadas constam parques de merendas, infantil, juvenil, campos de ténis e dois restaurantes a atribuir por concurso, pelo que, a ser ainda vivo, nada garantiria que Carlos de Jesus pudesse voltar a ganhar o concurso e retomar o espaço do qual foi desalojado ao fim de tantos anos de trabalho. Em consequência disso o desespero levou-o a acabar com a própria vida. Este é a primeira vítima mortal do PÓLIS.

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