Cavaco órfão há seis meses

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Cavaco órfão há seis meses

Mensagem por JornalExtra-Online em Seg 12 Maio 2008 - 14:59



Entre amigos, Teodoro Silva, falecido no passado dia 31 de Outubro, gostava de lhe chamar “a minha governanta”. Mas Clementina Macedo, com 63 anos, era bem mais do que isso. Durante 6 anos viveu com o pai do Presidente da República num apartamento que este adquiriu em Quarteira, a dois passos do mar.

Teodoro Silva completou 95 anos no dia 31 de Agosto, altura em que, pela última vez, reuniu, à sua volta toda a família (Cavaco Silva incluído) e os amigos mais chegados. Cerca de 100 pessoas estiveram presentes na festa. A partir daí, o seu estado de saúde começou a degradar-se, obrigando-o a constantes deslocações ao Hospital de Faro, vítima de problemas cardíacos e respiratórios. À sua cabeceira, nas últimas horas, esteve sempre Maria do Rosário, a única irmã de Cavaco, e Clementina Macedo, a “madrasta” do Presidente da República.

“Têm sido dias muito difíceis”, diz Clementina ao 24horas, da varanda do apartamento que outrora partilhou com Teodoro, em Quarteira. “Era um homem com muitos amigos, todos gostavam muito dele”, acrescenta Clementina Macedo, antes de manifestar a sua vontade de permanecer em silêncio, resguardada na dor de quem perdeu uma pessoa querida.

Teodoro e Clementina conheceram-se por intermédio de um amigo comum. Ele havia enviuvado de Maria do Nascimento Cavaco, de quem teve quatro filhos: Rogério, António, Maria do Rosário e Aníbal Cavaco Silva. Ela, que vivia em Lisboa, deslocou-se ao Algarve e o romance acabou por acontecer.


“Um malandreco”

“O Teodoro era malandreco com as mulheres, dizia que ia à praia ver as fanecas, e a coisa deu-se mesmo”, conta um velho amigo do empresário. Apesar de ter apenas a 4ª classe, Teodoro Silva conseguiu fazer com que todos os filhos tirassem um curso superior. Para orgulho do pai, um deles foi mesmo primeiro-ministro, ocupando agora o cargo de Presidente da República.
De início, o romance não terá sido bem aceite pela família do homem, à época com 89 anos. Mas Teodoro não era homem para hesitações, e Clementina acabou por se mudar para o apartamento de Quarteira. O tempo apagou as divergências.


Velhos hábitos

Com a nova companheira, Teodoro Silva não perdeu velhos hábitos. Como o de se deslocar constantemente a Boliqueime, a terra onde nasceu, criou os filhos e à qual voltava três ou quatro dias por semana.
“Enquanto conseguiu conduzir, vinha cá muitas vezes e trazia a mulher com quem vivia. Gostava de se entreter na horta e às vezes almoçavam por aqui”, refere Ricardino Rodrigues, recordando que o seu velho amigo não passava sem um café “ com uma gotinha de whisky.

Entre os prazeres do casalinho contava-se o passeio pela praia de Quarteira, normalmente de manhã bem cedo. “Ainda este verão ia à praia quase todos os dias”, confirma outro amigo e companheiro de patuscadas, Carlos Palma.


Garantem os amigos, que os dois viveram felizes: Não gostava de falar desses assuntos, mas ela dava-lhe uma boa ajuda”. Sobretudo quando a saúde começou a faltar.

Os restos mortais de Teodoro Silva foram depositados numa gaveta do cemitério de Boliqueime, ao lado da urna onde “repousa” Maria do Nascimento Cavaco.

Clementina Macedo regressou à casa de Quarteira, onde continua a viver. Pelo menos por enquanto.

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