Santo António de Lisboa tem devotos em todo o mundo

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Santo António de Lisboa tem devotos em todo o mundo

Mensagem por JornalExtra-Online em Ter 17 Jun 2008 - 13:15



Dos EUA chegam notícias de Euclides Cavaco, um português poeta e radialista que há muitos anos se radicou no continente americano. É do Alentejo, terra seca e linda de povo sofrido, província portuguesa que como poeta relembra e canta na sua obra. Euclides Cavaco esteve "retratado" em tempo de entrevista na Rádio Marinhais no dia 12 de Junho, e então, a partir das 22h, lá esteve na véspera de Santo António, relembrando histórias, verdadeiras, da sua vida de alentejano, de poeta, de escritor e de radialista. Radialista porque também ele lá pelas terras do Tio Sam encontrou tempo de antena que abre à comunidade para falar da cultura de Portugal e dos portugueses no mundo.

Euclides Cavaco "brindou-nos" com um poema especial dedicado a Santo António de Lisboa.






SANTO ANTÓNIO

Santo António de Lisboa
Tem honras de padroeiro
E a tradição lhe conferiu
Ser Santo casamenteiro...

No seu nome de baptismo
Era Fernando Bulhões
Na fé, o nome de António
O Santo das multidões...

Nasceu na velha Lisboa,
Passou a vida a pregar
E ficou dos portugueses
O Santo mais popular...

Pregou pelo mundo inteiro
Fez do mundo a sua igreja
Só por ter morrido em Pádua
Querem que Ele de lá seja !...

Mas Santo António é bem nosso
Muito embora peregrino
Padroeiro de Lisboa...
É português genuíno.

Seu dia treze de Junho
É sempre um dia invulgar
Que leva por tradição
Muitas noivas ao altar...

Por isso essas donzelas
Devotas de Santo António
Realizam neste dia
Seu sagrado matrimónio.

E a noite de Santo António
De tradições seculares
Culmina por toda a parte
Com as marchas populares!…

Euclides Cavaco



Santo António de Lisboa que afinal acabou por ser também de Pádua, de França e de outros pontos diversos do mundo onde se regista o culto ao santo de origem portuguesa.

Santo António foi menino no século XII (1192), viveu perto da Sé e chamava-se Fernando de Bulhão.

Também nós queremos aqui prestar hoje a nossa homenagem a um homem que se valorizou na cultura, na arte, mereceu grato lugar junto do povo e testemunhou a fé cristã partilhando com os mais carenciados o amor e a solidariedade.



Assinalou-se este ano a 13 de Junho os 776 anos da canonização de Fernando de Bulhões, conhecido mundialmente como Santo António de Lisboa.

Para um conhecimento mais aprofundado, reportamos ao ano de 1982 nas comemorações dos 750 anos da canonização, assinalada com diversos eventos dos quais se destacou o Colóquio organizado pela Universidade Católica:

Aconteceu na casa natal de S. António, junto à Sé de Lisboa, e transformada em oratório desde o século XV.

João Paulo II evocou Santo António no dia12 de Maio de 1982, sobre a canonização do Santo lisboeta, referindo como “grande acontecimento” o que sucedia em Espoleto a 30 de Maio de 1232, festa litúrgica do Pentecostes, que naquele ano de 1982 caiu, também, no dia 30. A data da canonização e a da morte de S. António – 13 de Junho de 1231 – são das poucas datas certas da vida do taumaturgo português, referidas pelo autor da sua primeira biografia, imprecisa em vários pontos da vida de Fernando Martins Bulhão, antes de entrar na Ordem Franciscana, e omissa em referências ao apostolado como António, no sul da França e em algumas cidades do norte de Itália.

Mas os últimos meses da vida de Stº. António foram passados em Pádua.

Tal circunstância contribuiu para o professor Roberto Cessi, da universidade de Pádua, descobrir, na primeira metade do nosso século, duas redacções da legenda “Assídua”, primeira biografia de Stº. António.

Teria sido autor da forma mais simples um franciscano português de Lisboa ou de Coimbra, e italiano um segundo, ao qual se deveria a parte mais circunstanciada dos últimos acontecimentos e a adaptação da restante à forma de obra única.

Por motivos mais ou menos idênticos, no último decénio, o franciscano espanhol Manuel de Castro renovou o problema da paternidade da Assídua, substituindo o candidato português por um franciscano espanhol: Frei João Gil de Samora, que viveu na segunda metade do século XIII.

O primeiro biógrafo de S. António, que, segundo as opiniões referidas, seria um franciscano da Península Ibérica, não indica a data do nascimento nem a idade do Santo à hora da morte.

Os biógrafos posteriores, na tentativa de preencherem várias lacunas da Assídua, fixaram-na em 36 anos e concluíram pelo ano 1195 como data certa do nascimento de Fernando Martins Bulhão junto à catedral de Lisboa.

É certo que S. António, conforme afirma a legenda Assídua, morreu a 13 de Junho de 1231.

Da noticia fornecida por algumas legendas posteriores, a saber, que o Santo tinha 36 anos quando morreu, concluíram os biógrafos que:


- S. António de Lisboa nascera em 1195;
- Entrara no mosteiro de S. Vicente no ano 1210;
- Passara ao mosteiro de Santa Cruz de Coimbra em 1212;
- ter-se-ia ordenado com 25 anos em Coimbra no ano de 1220;
( ou, segundo outros, em Forlí no ano de 1221 ou 1222).



Com o andar do tempo, o rigor da crítica histórica e leitura mais atenta da própria Assídua vieram levantar problemas quanto ao sobredito quadro cronológico. Começaram então a surgir hipóteses várias sobre a data do ingresso de S. António no mosteiro de S. Vicente de Fora de Lisboa e consequentemente sobre o ano do nascimento do Santo, que uns colocavam em 1195 e outros, como Wadingo, em 1196.

Até há pouco tempo, julgava-se que a notícia dos 36 anos de idade de S. António tinha partido inicialmente do discutido e pouco seguro Liber miraculorum, compilação tardia, editada nas Acta Santorum pelos Bolandistas e que faz parte da Crónica dos XXIV Gerais. Aquela compilação reduzia ao todo a vida de S. António a 36 anos, assim repartidos:

- 15 anos na casa paterna peto da Sé, em Lisboa;
- 02 anos no mosteiro de S. Vicente de Fora, em Lisboa;
- 09 anos no mosteiro de Santa Cruz de Coimbra;
- 10 anos na Ordem Franciscana, repletos de feitos de santidade, doutrina e
milagres.

Afirmação assim categórica pode passar à história sem contestação alguma, como aliás algumas noticias falsas, por exemplo, a de que S. António estudara teologia mística durante cinco anos com Tomás Galo, abade de Vercelli, induzindo em erro até S. João de Capistrano e muitos outros.

Só na primeira metade do século XX o belga André Callebaut pôs em dúvida o valor histórico da afirmação dos 36 anos do Santo português, mostrando a necessidade de prolongá-los até aos 40 e antecipar a data do nascimento para o ano de 1192, por causa da idade requerida, nessa altura, para a ordenação sacerdotal.

Santo António é o mais antigo Franciscano português, de quem se sabe o nome, e em Portugal entrou para essa Ordem Religiosa.

Estas duas afirmações, historicamente certas, pois constam da primitiva vida do Santo, A Legenda Prima ou Assídua, redigida pouco depois da sua morte em 1231, ou da sua canonização em 1232, levam a procurar o que se possa saber sobre os Franciscanos em Portugal durante a vida de Santo António.

Este tema, portanto, adapta-se ao que convém tratar-se neste Colóquio, ou nesta série de conferências, organizada pela Universidade Católica Portuguesa, para a comemoração dos 750 anos, em 1982.


E do curriculum de St.António…

“Muito novo ingressou na escola episcopal da vizinha sé de Santa Maria Olisiponense.

Ali recebeu a primeira educação. Lá aprendeu, simultaneamente com a disciplina moral cristã, as primeiras letras e os elementos de gramática, humildes fundamentos da alta cultura, de que era preciso couraçar-se, para as pugnas a que fora destinado”.



Contudo, o historiador encontra sérias dificuldades para saber como funcionava a escola catedralícia de Lisboa e quais as disciplinas nela ensinadas à época do jovem Fernando de Bulhão,futuro Santo António.

São escassos os documentos que nos restam porque o cartório da Sé foi destruído após o terramoto de 1755 que se abateu sobre Portugal e destruiu grande parte de Lisboa.

O II Concílio de Toledo de 527 determinou, cânone 1, que os jovens destinados pelos pais à clericatura passariam a ser instruídos numa casa da igreja sob a autoridade dos bispos.

Ao perfazerem 18 anos eram interrogados perante o povo se desejavam observar a castidade para sempre ou se preferiam casar-se.

Os que optavam pela continência perpétua podiam receber o subdiaconado aos 21 anos e, se se mantivessem puros até aos 25 anos, seriam promovidos a diáconos caso o bispo os encontrasse aptos.

Seja como for, é fora de dúvida que Santo António aprendeu os rudimentos do seu saber na escola catedralícia de Lisboa, e aprendeu a ler pelo SALTÉRIO, (conjunto dos 150 Salmos da Bíblia Sagrada) onde aprendeu a cantar os salmos e os hinos do Ofício Divino.

Aprendeu gramática por algum dos autores utilizados na época, pelo menos através da Ars minor de Donato, e aprendeu também o cálculo (cômputo), pois estas disciplinas faziam parte obrigatória do curriculum elementar das escolas.

A maneira de ser e de agir de Francisco e dos seus frades provocou na Europa de trezentos a mais profunda revolução social e religiosa.

O nosso Santo António de Lisboa ajudou a concretizá-la, em notável medida, no respeitante sobretudo à França, região de Paris onde, já no século XXI, perto da Bastilha existe uma igreja de devoto culto ao Santo Português, havendo mesmo uma paróquia com o seu nome. Ainda a Igreja de Verviers onde a comunidade protestante respeita o apostolado de Santo António. Também no Sul de França e na Itália, perpetuada com a igreja de Pádua, Santo António tem numerosos devotos em todo o mundo, sendo igualmente relevante o culto prestado no Canadá na Igreja de Quebec.




Igrejas de Santo António em Pádoa, em Louiseville (Quebec, Canadá)
e em Verviers (prova que também a comunidade protestante respeita o Santo português)



Remontando à sua época de evangelização foi relevante a revolução efectuada com as armas do Evangelho na mão dando vitória a toda a gente, sem ninguém se sentir vencido.

Nesse sentido o mundo teria corrido caminhos diversos se não tivessem surgido, no firmamento da Igreja,


São Francisco de Assis e
Santo António de Lisboa,


Homens que sem dúvida se esforçaram por assemelhar-se na vida e na obra a Jesus Cristo, pregando o amor, a partilha, a humildade, exortando ao amor e à Fé que, como diz a Bíblia, sem obras é morta.

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