Rogério do Carmo, poeta português residente em França lança novo poema intitulado "Conclusão"

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Rogério do Carmo, poeta português residente em França lança novo poema intitulado "Conclusão"

Mensagem por JornalExtra-Online em Sex 5 Set 2008 - 17:36

Rogério do Carmo um português em Paris


Rogério do Carmo vive em Paris.
Um dia há muitos anos teve a coragem de partir, como milhares de portugueses que buscaram países de acolhimentos para fugir à tirania dum regime opressor e castrador das liberdades de expressão.
Nasceu em Mafra, onde foi o melhor aluno da primeira escola. Desenhou o retrato de D. João V.
No meio perfil, na expressão, na longa cabeleira de doces caracóis evidenciava-se a firmeza do traço do artista que o “fotografou” pelo crayon: Rogério do Carmo.
Foi ainda o “melhor” quando a vida, adversa, lhe contrariou o percurso. A persistência marcou-lhe a “postura” e Rogério levou a melhor. Mais na fama. Pelo mérito. Pela arte. Pela inovação no quanto empreendeu.
- Na fama, sim. No proveito não tanto. Pela abnegação ou por um “provincianismo saudável”, ele, um homem cosmopolita, servia, sem se “servir”. E foram êxitos tudo quanto empreendeu.
Rogério é escritor; poeta; caricaturista; radialista com um “toque” especial que faz subir audiências.
Também poliglota: português, francês, inglês, espanhol e hebraico!
Rogério do Carmo cidadão do mundo, português de origem uma figura da comunidade – ou da diáspora, como soi dizer-se,merece aqui a nossa referência.

-Maria Leonor – editora do EXTRA on line




Paris




Prefácio

Entrar num livro de poesia é arrombar as portas do coração de um autor para encontrar o homem escondido por detrás de si próprio. É este o sentimento que se tem quando se começa a ler os poemas de Rogério do Carmo, que vêm compor este interessante livro que responde por VAGAS, onde as palavras, embora emotivas, não têm medo de chocar… de provocar… de refilar com o mundo de coisas que se sente e que se imagina. Horas vagas passadas entre o vazio e a miragem, transportam o leitor para a realidade de um distante mundo que está mais perto do que se pode imaginar.
VAGAS traz-nos um conjunto de poemas que atravessa o itinerário do tempo e procura reconstruir o percurso de vida de um homem que se vê acompanhado pela sua sombra: a sombra que não o deixa sozinho porque tem medo da solidão; a sombra que percorre a pele da palavra para encontrar a sensibilidade do ser humano, num gesto desesperado de procura de sentidos em que o homem se vê na eminência de ser substituído pelo éter projectado por importantes coisas vagas.
Numa espécie de resistência ao sofrimento e ao próprio curso do tempo, em que a vida e a morte se encontram numa batalha constante, caindo num vácuo, no vazio, no nada, Rogério do Carmo arquitecta, ao longo de várias décadas, pontes de sentimentos para construir um sentido poético do existir humano, num mundo de contrastes e sentimentos catastróficos, pensamentos catastrofistas e da própria catástrofe da vida com que cada um se confronta quando descobre que o mal que se faz ao outro reverte sobre o malfeitor como sombras vagas de um eu-desconhecido. Portanto, em VAGAS encontramos poemas desde os anos 50 até à actualidade, que nos prometem dar a noção do que foi a vida do autor quando, no fundo, dão ao Rogério do Carmo pistas para compreender o que poderia ser a sua vida se tivesse optado por outros caminhos.
A maturidade poética do autor está patente nesta obra, não só na forma como este se relaciona com os conteúdos dos seus poemas, mas também na maneira como aceita que estes conteúdos poéticos se relacionem com a sua vida. O autor estabelece uma relação de intimidade com a poesia, não descurando uma base de respeito mútuo, numa tentativa evidenciada de evitar que a criatura se revolte contra o criador. Os poemas de Rogério do Carmo enunciam-nos um homem com uma vasta experiência de vida, mas também uma larga vida de experiências, construídas com viagens em que o destino acaba sempre por ser um chão lírico pisado por alguém que anda à procura de si próprio, quando podia se reencontrar em sombras vagas que o perseguem. Uma grande sensibilidade poética e um ponto de interrogação sobre a cabeça de cada ser humano marcam os poemas que compõem o VAGAS e denunciam um autor que chora, ama e sofre, temendo matar a morte por medo de não encontrar o caminho da sua última sorte. Vida de encontros e desencontros… de partidas resolvidas nas chegadas. Do estranho familiar. Estrangeiro em sua própria casa: VAGAS.
Alguns poemas do autor mostram-nos a presença de alguém que esteve ausente da vida do poeta e rastos de um amor alimentado por beijos não trocados… beijos ensaiados em outras bocas. Um amor forte que fica, mesmo que o próprio poema morra.
Cruzando com a morte, nas curvas da vida, Rogério do Carmo fala-nos de uma morte envergonhada, sem coragem para se apossar do corpo e sem forças para mostrar a vida. Esta morte acaba por espelhar uma sociedade doentia, em que as cartas não têm respostas e valeria mais a pena um ‘nascimento’ prematuro, sem que se passasse do aconchego do ventre materno. Portanto, estamos claramente diante de um autor que provoca a poesia, para atingir a sociedade, e acaba por encontrar no ser humano a matéria-prima para o seu sentir poético, o que torna a própria sociedade, que já era doentia, em algo cheio de vida, de dinâmica, de contradições, de progressos, de ingressos, de saídas e de chegadas. Viagens da sua terra para a sua terra, já que se sente cidadão do mundo, estrangeiro debaixo da sua própria pele.
No útero da poesia do VAGAS, descobre-se algumas pobrezas espirituais da sociedade. Nas suas entranhas, depara-se com as fraquezas do próprio mal, que pode ser vencido com muita verticalidade, longe do silêncio, fora de sombras, num amanhecer sem virgindade, numa cavalgada de castidade, entre um cartaz africano e as certezas do seu amor, nos holofotes da Alfa, pelos caminhos da última morada, onde se ouve gritos calados, não de derrota mas do dia-a-dia, entre o heterónimo e o labirinto da cidadania.
Amor e perdição, encontros e desencontros, partidas e chegadas, noites sem luar e luas sem noite, voz poética em movimento e homem preso à sua sombra, portas do Céu e quintal do inferno, grutas escuras e sentimentos resplandecentes, coração de mel e olhar de fel, amargas experiências e doces cantares poéticos, mistérios da vida e realidades da morte: VAGAS.

Silvino Lopes Évora
Jornalista e Investigador em Ciências da Comunicação, Universidade do Minho
Braga, aos 15 dias de Dezembro de 2007.







Acaba de ser lançado, em França, um livro de poesia intitulado VAGAS, cujo autor é Rogério do Carmo. A obra, que traz um prefácio por mim escrito, já começa a ser publicitado nos meios de comunicação social portugueses, que operam junto das comunidades portuguesas radicadas em Paris. Um exemplo disso é o caso do LusoJornal.
Rogério do Carmo, destaca-se, entre outras coisas, por ter sido um dos fundadores da Rádio Alfa, um dos órgãos de comunicação social com mais eco no seio da comunidade lusa em França.


Poema


Conclusão



Quando

Neste mundo despontei

- às portas da má sorte -

Numa cama tombei

Cuidados recusei

E nela me quedei

Entre a vida e a morte!



Vida malfadada

Do ventre da mãe

Ao ventre da terra

Nunca somos nada

Nunca somos ninguém

Ignota perdida guerra!



Natos na dor

Mortos em agonia

A vida é um cortejo de penas

Tudo o resto é pura fantasia!

Da constante busca do amor

- Infecundos ímpetos de asa -

Ficam-nos murchas açucenas

Silenciosas cantilenas

Olvidada campa rasa!





Rogério do Carmo

Meudon, 25/08/08 (madrugada)




Rogério do Carmo

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