Bizarrias de um presidente

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Bizarrias de um presidente

Mensagem por Jornal Extra em Qua 2 Abr 2008 - 12:27



Sarkozy insiste:
“A culpa dos distúrbios é da voyoucratie”

O presidente dos gauleses
Nicholas Sarkozy,
num encontro com policiais na Defense
releva as policias e desvaloriza
os direitos dos emigrantes.



França decidiu e votou mas o escrutínio revelou divisão.

Ségolème Royal , primeira mulher a candidatar-se à presidência dos gauleses trazia novidade e esperança de mudança. A forte abstenção deveu-se a desagrado de alguns por descrédito no processo eleitoral e até portugueses radicados em França recusaram votar.

A esquerda democrática ficou triste, chocada. Nicolas Sarkosy , filho de um emigrante turco, foi discriminatório e provocador para jovens da periferia de Paris que considerou “escumalha” . Sarkosy que foi maire (edil) em Neully-s-Seine, zona “chic” de Paris, manifestava algum “agastamento” com as classes mais desfavorecidas, principalmente emigrantes. Tal postura elitista não lhe ia “muito bem” com o seu estatuto de filho de emigrante turco. Desvalorizando a classe baixa não ganhou simpatias. Ségolème Royal talvez por conhecer bem Sarkosy, considerou partido socialista francês muito teria a dizer, a fazer, após as eleições de Julho.

A victória do turco-descendente foi considerada por muitos “Ruptura do Gaullismo”. Ségolème é filha de franceses nascida no Quénia e Nicolas, nascido em França, é filho de pai turco e emigrante. Sarkozy é sensível ao peso dos grandes paises capitalistas. É suposto que o incomode a esquerda francesa, com vínculo democrático. Porém 53 por cento dos votos não representam a maioria dos franceses face à abstenção. Empolgado com a victória Sarkozy, entreteceu-se por salamaleques, pa-ta-ti-pátá-tá, que devolvia o “amor” que França lhe dera e retribuiria como presidente de “todos os franceses”, fingindo não perceber que uma grande boa parte não o queria no poder.

A victória deu-lhe coragem para repudiar os desaires e bizarrias de madamme Sarkosy, que não mais parou de se exibir a elas e às filhas (não de pai Sarkozy) pelo jat-set lá do burgo. Pelo ar os “diz-que-disse”avolumaram contendas no segredo de bastidores e o presidente virou-se para Carla Bruni. E se exmadamme Sarkosy tinha um “interessante curriculum” a Carla Bruni ganha-lhe aos pontos. Foi modelo, pousou nua, le-se por aí sobre uns “affairs”com os cantores Mick Jagger e Eric Clapton. Inica-se na “política” de Laurent Fabius. Atirou-se ao milionário Donald Trump e usou o mesmo tecto com o actor Kevin Costner. Em 2001 experimentou a maternidade em “colaboração” com Raphael Enthoven, de quem teve o Aurélien.

Carla Bruni cobiçou o “Eliseu” e Sarkozy. Presidentes ela ainda não tinha no seu “rol” amoroso. E pronto; juntaram os “trapinhos” fizeram programa para uns dias de férias, pediram um “jactozito” emprestado, a oposição criticou, mas lá foram eles, em família com a mãe do presidente, um filho, e a escultural Bruni a caminho das piramides…

Sarkozy voltou ao Egipto sozinho, em viagem oficial a 30 de Dezembro. O fim do ano trouxe preocupações a Sarkozy. Morrem turistas franceses na Mauritânia. Desenvolvesse um conflito. O governo francês intimida as equipas do Rally Lisboa Dakar e força a retirada da prova. Em Lisboa vive-se indignação revolta e prejuízo, tv’s e jornais bombardeiam notícias.

Os franceses mataram a prova. Entretanto em Paris vivem-se agitados dias com a ameaça de atentado à Tour Eiffel. Sarkozy, sucedendo a Jacques Chirac, devolveu à direita francesa o poder. Oxalá não retorne a França a agitação que o país viveu nos anos 90.

Ségoléme trazia consigo a força do partido socialista francês baseada nos 17 milhões de eleitores que lhe deram a sua confiança e assegurou “Juro-vos que não pararemos”. Na noite das eleições foram milhares os jovens também dos subúrbios que ameaçaram: “Sarkozy nós vamos tratar de ti”.

No regresso da China, em finais de Novembro último, Sarkozy num encontro com as forças policiais na Defense, perante cerca de dois mil policiais foi muito objectivo, quando afirmou reportando-se aos incidentes de Villiers-Le-Bel, lugar de 26 mil habitantes onde morreram dois jovens e foi montada segurança com mais de mil policiais: “ tem a ver com vouyoucratie não com a crise social”.

Sarkozy ameaçou endurecer métodos, reformar normas das forças policiais, aumentar efectivos e criar novos mecanismos de punição. Sarkozy quer rever a política de emigração, deixando antever nessa postura uma xenofobia encapotada. Afirmou que as expulsões continuarão e todos os candidatos a residir em França, deverão passar por um exame de francês, como dissera o ministro Brice Hortefeux. Na Defende o Presidente afirmou: “recuso-me a ver os delinquentes como vítimas da sociedade e nos distúrbios reflexos de problemas sociais”.

“Não temam a promoção por mérito. A paixão pela profissão faz parte da República”, disse aos policiais ali runidos.

Sarkozy em Lisboa, a propósito da Presidência Europeia também falou aos jornalistas.

Recorde-se que há quase 20 anos Le Pen quis anunciar em Lisboa medidas “fascizantes” para França. Curiosamente falava de dura repressão, expulsão de emigrantes e obrigar a expensas próprias os emigrantes a aprenderem francês entre outras anunciadas medidas castradoras dos direitos e garantias dos cidadãos em trânsito na Europa.


Maria Leonor Quaresma

Edição n.º 24 (1ª Quinzena de Janeiro de 2008) do Jornal Extra

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