Três cosmopolitas Urbano's e o Prior do Crato

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Três cosmopolitas Urbano's e o Prior do Crato

Mensagem por JornalExtra-Online em Ter 10 Mar 2009 - 17:57

A versão francesa do mais recente romance de Urbano Tavares Rodrigues, " Os Cadernos Secretos do Prior do Crato", que na tradução para francês recebeu o nome de " Les Carnets Secrétes de António Portugal, Prieur du Crato", foi apresentada no Centro Cultural de Paris durante em Fevereiro ao ano passado.
Os autores portugueses tem no mercado livreiro francês, grande projecção.
Na apresentação, para além do editor Joaquim Vital, esteve Marie Helène Piwnik, professora catedrática, jubilida, e tradutora da obra. Também Maria
Graciete Bessa, professora catedrática de Estudos Portugueses na Sorbonne.

O livro "Os Cadernos Secretos do Prior do Crato" foi editado em Outubro de 2007 e nele o autor revela um Prior do Crato diferente do que se conhece em actos, pensamentos e revelações, na sua vida quotidiana, também reimaginada e, por vezes, inventada. Em "Os Cadernos Secretos" Urbano Tavares Rodrigues permite-nos encontrar relatos de intrigas, amores e aventuras, considerações sobre a época e saborosas surpresas.

O Prior do Crato, que viveu em Almada, onde a toponímia relevou o seu nome num pátio jnto à Boca do Vento, caminho do Ginjal, era tio de El-Rei D. Sebastião e em torno de si se tecem considerando populares e políticos, alguns muito críticos pela sua interveniência no reinado dos Filipes de Espanha em Portugal.

Urbano Tavares Rodrigues vem de uma família abastada do Alentejo,prole de entre a qual três se destacaram nas letras. Urbano Tavares Rodrigues, desde sempre poeta escritor e democrata, lutador antifascista mercê de cujo perfil foi preso e toturado nas masmorras de PIDE, - Policia Internacional e Defesa do Estado - Um intelectual português de grande mérito arrancado das garras do fascismo em Abril de 1974.

Um seu irmão Miguel Tavares Rodrigues notabilizou-se nas letras igualmente. Fez parte da redacção de vários jornais e foi director do jornal "o diário" . Denunciou injustiças sociais, defendeu as causas dos trabalhadores; defendeu e incentivou a luta pela Reforma Agrária num Alentejo "devorado pelos vampiros", que "comiam tudo", como cantou Zeca Afonso. Os trabalhadores eram explorados, maltratados. Os latifundiários roubavam-lhe os direitos. Os capatazes, lacaios do capitalismo e dos agrários, descriminavam os trabalhadores rurais, escolhendo os mais fortes na "triste" praça das jornas, como se fossem gado.

Miguel Urbano Rodrigues denunciou injustiças com determinação.

Integrou as lutas pelas causas justas do povo da América Latina.
Dedicou-se à causa cubana e denunciou desde sempre o vergonhoso bloqueio que Cuba sofreu às mão dos Estados Unidos da América.
Editou livros.

Um outro irmão, mais velho foi a antítese de ambos. Jorge Rodrigues, dotado igualmente de notável inteligência aplicou-a em acções favoráveis ao regime de Salazar na política e no âmbito do Marketing,

Escolheu Comunicação e Imagem, ao serviço de um dos tubarões do grande capital. Jamais se identificou com os ideais de Abril/74.

Voltando à obra de Urbano Tavares Rodrigues sobre o Prior do Crato consideramos ser uma boa sugestão de leitura, que aqui deixámos.

O Prior do Crato, Cardeal D. Henrique, foi o 17º. rei de Portugal, filho de D. Manuel I e de D. Maria sua segunda mulher. Era irmão de D.João III. Foi arcebispo de Braga e Évora.

Viveu em Almeirim onde morreu no ano de 1580 com 68 anos.

Foi regente do reino durante seis anos na menoridade de D. Sebastião. Em 1568 quando D.Sebastião subiu ao trono, retirou-se para Alcobaça. E é aí que, dez anos mais tarde recebe a noticia da catástrofe de Alcácer Quibir. Terá passado por Almada onde viveu num páteo que tem o seu nome.

O curto reinado do Cardeal D. Henrique foi de má memória para o povo português, dizimado por fomes, viveu um período atroz também de epidemias e de intrigas dos pretendentes à sucessão da coroa do Cardeal-rei. O Cardeal usou de influência na sucessão e "designou" que fosse rei de Portugal Filipe II de Espanha, neto materno de D. Manuel I.

Não logrou o seu intento.

Morreu dois anos depois e a questão de Filipe II não fora, entretanto, resolvida. O povo não perdoou a este Cardeal , último rei da Dinastia de Avis, e nas ruas cantava-se uma cantiga assim:

Viva o el-rei D. Henrique
No inferno muitos anos,
Pois deixou em testamento
Portugal aos Catelhanos.

Isaac Manuel

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