Teatro Extremo e Outros "Extremos" de Benite há 30 anos

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Teatro Extremo e Outros "Extremos" de Benite há 30 anos

Mensagem por JornalExtra-Online em Qui 17 Abr 2008 - 12:28

O Teatro Extremo, em Almada Velha, constitui uma boa opção cultural aos adeptos da Arte Grega que se congratulam com o esforço da companhia empreendendo iniciativas de que podem orgulhar-se. Os Responsáveis pelo projecto esgrimem, em simultâneo, pela continuidade já que não tem merecido das autarquias igual apoio ao que tem vindo a ser dado a Joaquim Benite desde a sua chegada a Almada em 1977.

NOTA À MARGEM: JOAQUIM BENITE TAMBÉM USA “MÁSCARA” GREGA…

Mercê das equipas de que se faz rodear, tem levado o seu navio a bom porto, desde a década de 60 quando participou na fundação do Grupo de Campolide ajudado com o dinheiro e quotizações regulares de democratas e intelectuais que desenvolviam também acções cine-clubistas e comercializavam clandestinamente discos e livros proibidos pela censura. Ao longo dos anos acumulou êxitos a par com muita discórdia e conflito. Intocável, mercê da sua pseudo fidelidade ao Partido Comunista Português, a partir da concelhia de Almada onde, até mesmo os seus comportamento reprováveis lhe foram silenciados.

A Câmara de Almada que promove e apoia a cultura popular permitiu a Joaquim Benite ocupar o espaço do velho mercado abastecedor, sabendo que prejudicava o Grupo Amador da Teatro da Academia, (GATA), que tinha aquele por único espaço onde ensaiava duas vezes por semana.

Joaquim Benite intentou e conseguiu por o GATA fora da Academia alegando precisar do palco para o seu grupo. E não era verdade. Havia no teatro da sede velha, espaços alternativos que Benite reprovou na “arengada” que usou para pressionar a direcção da Academia.

O teatro de revista, projecto popular trazido por José Viana trouxe a Almada um movimento incomum de espectadores vindos em autocarros de várias regiões principalmente do Alentejo para assistir aos espectáculos com elenco nobre: Rogério Paulo; Canto e Castro e Ema Paul;Maria Dulce e António Machado; José Viana e Dora Leal; Jeanine Osório; Vicente Batalha; outros actores hoje nas telenovelas portuguesas e Manuel Coelho actor residente do teatro Nacional D. Maria, no Rossio, em Lisboa.

Perseguição doentia

As atitudes de Benite deixavam antever uma perseguição feroz ao grupo amador GATA. Caiu no esquecimento e não consta que alguém lhe tenha por alguma vez pedido responsabilidades.

À altura o GATA , transferido que fora o mercado abastecedor, junto à escola primária Conde Ferreira, recorrera ao espaço para ensaiar. Promoveram jornadas de trabalho voluntário para adequar o espaço, fazer obras de restauro, pintar. Prepara-se para uma estreia.

A uma semana da estreia do GATA Benite oferece um contrato de trabalho ao actor amador do GATA que tem o papel principal (Alberto Quaresma) na peça a estrear “Arraia Miúda”. Impõe ao actor amador que convida para trabalhar no seu grupo, “entrada imediata ou perde a oportunidade”. Benite sabia que comprometia a estreia, o trabalho dos amadores, e a continuidade do GATA.

O GATA era composto por 40 elementos, entre os 16 e os 50 anos, sócios todos eles e a cumprir um projecto cultural começado por Paulo Renato que por doença abandonou. Continuou-o José Viana e depois Augusto Sobral, arquitecto, escritor e dramaturgo que manteve a escola de Teatro da Academia e levou à cena “Arraia Miúda” de Jaime Gralheiro, sem despesas para a colectividade.

A Academia retomara a projecção dos anos 40/60 e volta ao Teatro de Revista pela mão de José Viana. Lotações esgotadas e o GATA, com “Arraia Miúda” a cuja estreia, pela primeira vez na vida da velha colectividade, assistiu o Primeiro Ministro de Portugal.

Joaquim Benite teceu uma ardilosa teia e conseguiu arrancar José Viana e o teatro de Revista da Academia, como também conseguiu acabar com o GATA sem deixar alternativa ao grupo amador. Um dos directores incomodado com a situação apresentou um extenso relatório à concelhia do PCP em Almada e destinada a Lisboa ao Comité Central. Soube-se mais tarde que o documento não saira da gaveta onde “adormecera” em Almada.

Benite teria crise de identidade ou qualquer dissimulado recalque

Pese embora o mérito do trabalho realizado mercê das equipas de que se tem sabido rodear e das influências buscadas a nível partidário, Joaquim Benite espalhou à passagem discórdia e conflito: o Grupo de Campolide é expulso daquela colectividade por onde começou. Instala-se na Guilherme Cossul, colectividade de passado histórico onde “nasceram” para o Teatro José Viana, Henrique Viana, Raul Solnado, põe a direcção em conflito, provoca sérios prejuízos materiais e financeiros. É expulso.

Exercendo influências partidárias e estimulado pelas suas proprias capacidades recorre a Almada. Prejudica o projecto de José Viana. Acaba-se o Teatro de Revista. Destrói o Grupo Amador. Anos 80 incompatibiliza-se com a Direcção da Academia. Gera conflito e discórdia e o presidente da colectividade, Osvaldo Azinheira, manda expor ao público as instalações, palco e camarins usados pelo Grupo de Campolide para que publicamente testemunhassem o estado de degradação e imundície em que foi deixado.

Saídos da Academia Joaquim Benite procura a Incrível Almadense. Promessas de projectos que não passaram daí e outra vez discórdia e conflito na direcção de uma colectividade, extensivas às reuniões internas na concelhia do PCP, em Almada.

Na SFUAP, na Cova da Piedade, saído da Incrível, mais tarde, repetem-se as cenas de conflito e discórdia e fica abortado o projecto de teatro que ali fora propor por rejeitado.

Com os próprios actores do elenco do Campolide Benite andava muitas vezes de candeias às avessas. Canto e Castro e Ema Paul eram alvo das bizarrias de Benite. Um dia Isabel Baía disse “basta” com voz dura e determinada quando mandou apear Benite da sua viatura quando lhe dava boleia num trajecto para Lisboa. E Benite ficou mesmo apeado na Ponte 25 de Abril.

Benite sai por cima, ganha batalhas e guerras, deram-lhe “medalhas de mérito” e um segundo Teatro Municipal.

Em 1989 a Câmara delibera entrega uma verba de três mil contos para ar condicionado. Uma larga faixa do eleitorado comunista de Almada, também gente do movimento associativo critica mas, por disciplina partidária, silencia a critica, embora reconhecendo que no concelho havia outras prioridades.

Todos ao teatro

Voltando ao Teatro Extremo que reabriu remodelado para apresentar a 34ª criação “Maria Curie”, constitui uma boa opção já que contempla publicos de vários escalões etários.

“Maria Curie” de Mira Michalowska, com encenação de Sylvio Ziber e interpretação de Isabel Leitão manteve-se em cerca de dois meses. A peça retrata a mulher, a cientista, que descobriu o rádio e a radioactividade e que recebeu por duas vezes o prémio Nobel. O Teatro é por excelência a arte da versatilidade, do desdobramento, da reinvenção de recursos e formas. São estes os conceitos que estão na base da criação deste projecto concebido pelo arquitecto João Lima, no Teatro Extremo. “Pedro e o Lobo”, que se mantém em cartaz até ao fim de Abril é um espectáculo infantil com música ao vivo, com encenação e dramaturgia de Fernando Jorge Lopes e interpretação de Carlos Melo, João Queirós, Rui Cerveira e Tiago Pereira. Fundamenta-se na fábula de Esopo e do conto musical “Pedro e o Lobo” do compositor russo Sergei Prokofiev.

Paralelamente à actividade da sua sala, o Teatro Extremo estará em digressão com os espectáculos do seu reportório, a desenvolver o seu projecto de formação através da realização das oficinas de teatro “Para crianças que ainda não conseguem chegar ao puxador da porta”, na Quinta da Princesa, no Seixal para crianças dos 5 anos.

Esta iniciativa resulta do protocolo estabelecido com a Câmara Municipal do Seixal; a valorizar a iniciativa Feira dos Brinquedos, no “Dar a palavra às crianças” no Seixal para escolas do ensino básico às quais é dado a conhecer feiras antigas em que se trocavam produtos.
Para além destas actividades o Teatro Extremo está a organizar a 13ª edição do festival “Sementes, de 3 de Maio a 7 de Junho, – Mostra Internacional de Artes para o pequeno público” que este ano acontecerá em Almada, Odivelas, Seixal, Palmela, Moita, Montemor-o-Novo, Barreiro, Sesimbra, Aveiro, Caldas da Rainha e que conta com a presença de companhias oriundas de Portugal, Espanha, Argentina, Bélgica, Rússia e República Checa .


TEATRO EXTREMO TELF. 212 723 660 – R.SERPA PINTO – ALMADA

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