Guerra Peninsular - E a Corte foi para o Brasil

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Guerra Peninsular - E a Corte foi para o Brasil

Mensagem por JornalExtra-Online em Seg 21 Abr 2008 - 14:32

Há 200 anos, em 1808,
Carlota Joaquina a "mejera de Queluz"mulher
do principe regente D.João
e D.Maria I sua mãe,
figuras bizarras da nossa dinastia
fugiram de Napoleão e foram para o Brasil.
Ocuparam casas aos brasileiros do Rio.
Encheram-se de pulgas e de piolhos.
Nada deviam à higiene.
Carlota Joaquina ficou careca e o rei
só tomou banho aos 50 anos.
"Enfeudaram" Portugal a Espanha



Na Sala do Senado da Assembleia da República, uma conferência subordinada ao tema «Guerras Peninsulares, Soberanias Atlânticas, Novas Instituições», agora que se assinala o segundo centenário da Ida da Corte Portuguesa para o Brasil.

As presentes Comemorações da Ida da Corte Portuguesa para o Brasil são uma iniciativa conjunta da Assembleia da República de Portugal e da Câmara de Deputados do Brasil.

A organização da Conferência que teve lugar em Lisboa cabe, no âmbito da Assembleia da República, â Comissão de Defesa Nacional.

A esta Conferência em Portugal, seguir-se-á uma Conferência sobre a mesma temática, a 5 e 6 de Maio deste ano, em Brasília, organizada pela Câmara de Deputados do Brasil.

Quer na abertura quer no encerramento da conferência esteve Jaime Gama, presidente da Assembleia da República, e o presidente da Câmara dos Deputados do Brasil, Arlindo Chinaglia. Foram oradores especialistas na matéria, nomeadamente historiadores e constitucionalistas.

E fugiram para o Brasil...

O povo a ela, à rainha, chamava a "mejera de Queluz". Ele, D. João, o rei deixara que a corte percebesse, e criticasse, a ausência de higiene nos seus hábitos.

Estava-se no ano de 1808, no mês de Janeiro e a 22. Era a primeira vez que um príncipe português, cre-se até que da Europa, pisava chão das américas do sul. Foi quando D.João VI fugiu com a corte para o Brasil por causa das invasões de Napoleão Bonaparte.

Poucos meses antes, em Agosto de 1807, o império de Napoleão exigiu que Portugal fechasse os seus portos à navegação britânica e prendesse todos os ingleses no país.


Uma aventura de 54 dias

D. João VI, - então principe regente-, não se entendia com os ministros nesta questão imposta por Bonaparte; António de Araújo e Azevedo, ministro do Conselho de Estado, defendia a cedencia a Napoleão.Rodrigo de Sousa Coutinho, outro dos seus ministros, considerava que, mesmo que o recurso fosse a guerra, Portugal deveria defender-se dos franceses. Mas a estratégia viria a ser diferente: preparar naus e esquadra que assegurassem a viagem de D.Pedro, herdeiro do trono de Portugal para terras de Vera Cruz. Mas já Napoleão ordenara a um exército de 30 mil homens para invadir Portugal. Então o regente do trono alarga a frota, em principio de 4 naus, e prepara-se para partir de Belém ele, a rainha Carlota Joaquina, o séquito real e mais 15 mil pessoas.

E lá foram todos eles, com medo de Napoleão a cruzar o Atlântico numa longa aventura que durou 54 dias de Belém à Baía.

A "mejera" e os piolhos

Foi há 200 anos. Os hábitos de higiene não estavam arreigados nos costumes do povo nem sequer na corte. Cre-se até, segundo os relatos e registos da época que D. João terá tomado o seu primeiro banho de corpo inteiro, quando fez 50 anos, no Brasil e 13 anos depois de lá ter chegado e a conselho do médico. D. Pedro fora invadido por terríveis comichões. Os criticos da época não opoupam e até denunciam a sua gula que o levou a guarda frangos nosbolsos das casacas para ter à mão, numa eventualidade algo para "trincar". "Sebentas, gordurosas, mal-cheirosas" eram as casacas deste rei que também tinha "medo" da água...

Quanto a Carlota Joaquina, chamada a "mejera de Queluz" também à higiene deveria muito pouco. O seu ar altivo a ostentar rendas, folhos, faixas, caracóis e penachos, escondiam uma praga de pulgas e piolhos. E raparam-lhe o cabelo, rentinho, para a libertar da praga.


Falta higiene mas abunda cultura

No Brasil os soberanos mudaram-se para o Rio de Janeiro dois meses depois de terem chegado. E num "bem prega Frei Tomás..." invadiram a cidade eles que condenaram, e fugiram da Invasão Napoleónica. Há 200 anos era uma cidade anarquizada, sem saneamento, ruas estreitas cobertas de pó e de escravos. D.Maria I, mãe de D.João incomodava-se. Saira de Portugal contrariada. Preferia lutar contra Napoleão. Instalou-se no Paço Imperial, residencia oficial do vice-rei. Mas porque a comitiva não tinha lugar o principe regente decretou que as melhores casas da cidade fossem ocupadas pelos nobres da corte portuguesa. Foi um abuso. D. João equiparou-se a Napoleão. E os seus oficiais para que não restassem dúvidas cada casa era carimbada com um PR (Principe Regente) e era, em prol disso, de imediato desocupada.

Carlota Joaquina, odiada em Portugal também o era no Brasil. Tecia intrigas e deixava crescer o plano de submissão de Portugal
a Espanha. O regente, por seu lado, bon-vivant, comilão e bem humorado ganhava simpatias no meio cultural que com a sua presença ganhava desenvolvimento.

Para o Brasil as nossas naus levaram com a comitiva de 15 mil pessoas também máquinas inglesas de impressão, novidade no Brasil à época e 60 mil livros que viriam a originar a Biblioteca Real mais tarde tornada pública.

A assinalar este período histórico de Portugal esteve presente no Museu de Marinha, em Belém, durante o mês de Março, uma exposição que assinala os 200 anos da partida da Coroa Portuguesa. Foram também expostos o Bergantim Real, dois coches e uma cadeirinha que há 200 anos transportaram os membros da casa real até ao local de embarque nas naus, no Tejo.

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